José Claisson Aléssio

Os escritores barricam-se em histórias para não sofrer, as personagens que sofram por eles.
Já não preciso de contar histórias. Demasiado tarde. São estas as palavras mais tristes de qualquer língua.
Agora o futuro não existe. Passei anos, no dia do meu aniversário a espera de um telefonema que sabia que não viria, aguardando a festa surpresa que nunca me fizeram.
Tornei-me à força do silêncio dos que amei um carneiro sonso, batendo a uma porta onde já não mora ninguém.
De repente, vocês são apenas fotografias ao lado da minha cama. Há um cão a uivar na noite. Sou eu este cão.
Queria sentar-me ao lado de vocês, numa varanda, ou à sombra de uma figueira, e escrever um romance que todos pudessem admirar.
Não pude ser o que sonharam de mim. O que talvez não saibam é que também nunca me perdoei a mim mesmo.
Por que há tantos corredores, e tão escuros, nos sonhos?
Não consigo descrever a falta que me fazem.

  Versão compacta de FAZES-ME FALTA de Inês Pedrosa
   Texto criado com frases tiradas do livro